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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Lente (parte 1)

A lente é a principal parte de uma máquina fotográfica. É ela que torna a fotografia possível. As melhores lentes existentes no mercado chegam a ser mais caras que a própria máquina fotográfica. Só como exemplo, em janeiro de 2013, a câmera Canon mais cara (EOS 1D X) era vendida nos Estados Unidos a US$ 6.800 (só o corpo, sem lente). Só desse fabricante, no mesmo período, eram comercializadas ao menos seis lentes acima desse preço, sendo que a mais cara delas custava mais de US$ 13 mil (no câmbio da época, cerca de R$ 26 mil!).

Mas lentes caras como essa são dispensáveis se você não é um profissional especializado. Para um fotógrafo eventual e até para uma amador avançado a lente das máquinas compactas e até a lente amadora que vêm nos kits das reflex mais simples são suficientes em 99% das situações. Então vamos conhecer um pouco das lentes e as situações de uso.

Distância focal
Para ter uma noção dos efeitos de uma lente sobre uma imagem precisamos entender o que é distância focal. Para não cansar, vou deixar a física óptica de lado. Grosseiramente, podemos dizer que a distância focal é o valor que indica se as imagens geradas por uma lente "aproximarão" (lente teleobjetiva ou simplesmente tele) ou "afastarão" o objeto (lente grande angular). Esse valor é sempre expresso em milímetros. Uma lente pode ser fixa e ter apenas uma distância focal (50 mm, por exemplo) ou ter uma distância variável (28-80 mm).

"Minha máquina não tem esses valores. Diz apenas que o zoom é de 3x". Na verdade, ela tem esses valores. Mas como pouca gente sabe o significado deles fica mais fácil o fabricante dizer ao comprador quantas vezes ele "amplia" a imagem. Esse fator (3x) diz, na verdade, que a maior distância focal é três vezes maior que a menor distância focal. Ou seja, se a menor distância focal de uma lente for 25 mm, a maior distância focal será três vezes 25 mm, ou seja 75 mm. Os valores da maior e menor distância focal de uma máquina encontram-se na parte frontal de uma lente e no manual da máquina.

A distância focal da lente normalmente é informada na parte frontal da lente. No caso acima, a lente vai de 18 a 135 mm.

"Estranho... o valor informado na lente da minha máquina é 5-25mm. Não é muito baixo? Está certo?" O valor é esse mesmo, mas é preciso explicar um detalhe. Toda as medidas e teorias sobre o uso de lentes foi desenvolvido para câmeras que usavam filmes 35 mm. Os sensores das câmeras digitais, em geral, são bem menores que os filmes. Apenas as melhores câmeras reflex utilizam sensores com as mesmas dimensões de um filme 35 mm, as chamadas de full frame. Além disso, a distância entre a lente e o sensor não respeita os padrões que eram utilizados nas máquinas 35 mm. Por isso, para saber como utilizar melhor a sua lente ou na hora de escolher uma lente para comprar, é mais importante saber a distância equivalente em 35 mm (no caso das máquinas compactas) ou o fator de corte da sua máquina (nas reflex). Essa informação costuma estar presente no manual e em algumas peças publicitárias.

A lente da Canon PowerShot A1300 tem distâncias focais que variam de 5 a 25 mm (informada como 5x, ou seja a maior distância, 25mm, é cinco vezes o valor da menor distância, 5mm). Ela faz imagens equivalentes a uma lente 28-140 mm em uma máquina 35 mm.


Atenção: daqui em diante, todos os valores que forem citados dizem respeito a lentes para máquina 35 mm e equivalentes. Os efeitos sobre a imagem só acontecem no caso do uso de zoom óptico. Não daremos informações sobre o zoom digital pois além de diminuir a qualidade da imagem, o uso desse recurso não provoca as distorções ópticas que iremos abordar.

Regra geral, distâncias focais baixas (abaixo de 35mm) oferecem um ângulo aberto para imagens, sendo seu uso apropriado para espaços pequenos ou para abranger muitos objetos ao mesmo tempo. O uso dessas distâncias provoca distorção nas bordas das imagens. Por isso não são as mais adequadas para fazer retratos. As lentes nessa posição são chamadas grandes angulares. Alguns equipamentos usam apenas esse tipo de lente, como as câmeras de ação, da marca GoPro, ou lentes frontais dos smartfones. É isso mesmo: a lente na qual mais fazemos nossos retratos não são as mais adequadas para isso, mas são usadas porque permitem que seja possível fotografar à distância de um braço esticado, no caso, seu próprio braço.

Distâncias focais mais altas não apresentam essa distorção. Por outro lado tendem a escurecer a foto. Isso não costuma ser problema porque as câmeras tendem a corrigir automaticamente a luminosidade. Por isso, quando for fazer um retrato de alguém, busque se afastar das pessoas e usar o zoom para se aproximar. Isso vai fazer grande diferença. Além disso, essas lentes aproximam não só o objeto fotografado, mas tudo que está ao fundo. Isso pode fazer com que paisagens fiquem mais nítidas quando servem de cenário para um retrato de alguém. Usando uma lente grande angular tudo parecerá menor e mais distante.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O enquadramento - parte 2

No post anterior vimos algumas orientações básicas de enquadramento. Agora vamos ver algumas dicas para valorizar suas fotos ainda pensando apenas no enquadramento, o preparo antes de disparar.

Diagonais valorizam a imagem: pode parecer bobagem, mas linhas diagonais ou objetos alinhados diagonalmente dão uma sensação de movimento a quem observa a fotografia. Esse tipo de sensação valoriza a imagem. Quando for fotografar um único objeto, busque um ângulo sob o qual as linhas do objeto apareçam formando diagonais. Quando for uma sequência de objetos faça com que a base ou o topo desses objetos tracem uma diagonal no plano da imagem.

Perceba como a diagonal traçada pelas bordas da fonte conduz o olhar do observador ao monumento

 No exemplo acima, a sequência de coqueiros traça a diagonal no fotografia.

Ao fazer retratos, use o zoom (tele ou meia tele): essa dica é simples e vai agradar as pessoas que você fotografar. Nunca tire um retrato de alguém se aproximando da pessoa. Uma fotografia tirada de perto deixa o rosto mais arredondado. Quando for fotografar o rosto de alguém, ou quiser fotografar uma pessoa da cintura para cima, afaste-se e utilize o zoom da câmera para que preencher o quadro com o “modelo”. O resultado será um rosto menos distorcido e um inimigo a menos.

8 mm (equivalente a 38 mm em uma câmera 35 mm)

23 mm (equivalente a 114 mm em uma câmera 35 mm)

As duas fotografias foram realizada com o mesmo ajuste. As únicas diferenças eram a distância do modelo e a posição da lente. Observe que a distância também ajuda a reduzir as sombras produzidas pelo flash.

Esse é um problema muito comum nas selfies. Como nesse tipo de fotografia esticamos nosso braço para afastar a câmera, os fabricantes usam lentes frontais que permitem um ângulo bem aberto na hora de fotografar, chamadas "grande angular". Essas lentes distorcem as laterais da imagem O resultado são imagens que deixam as pessoas mais inchadas do que são de fato, principalmente nas bordas do quadro. Por isso muita gente acaba fazendo a foto de cima para baixo. Com esse enquadramento a distorção é disfarçada, usando a deformação para confundir o observador. Quem usa esse truque sabe do que eu estou falando. A melhor opção é pedir a ajuda de alguém.

Como quase todas as máquinas hoje possuem uma lente zoom (dessas que você pode aproximar ou afastar o objeto apertando um botão), as lentes das máquinas compactas têm três posições básicas: grande angular, normal e tele (ou meia-tele). Nas posições grande angular, a máquina “afasta” os objetos. Essa posição tende a deixar as linhas nos cantos da imagem (e o rosto do fotografado) mais arredondado. Já nas posições tele (ou meia-tele), quando você “aproxima” os objetos com o zoom, esse efeito não acontece.

Já coloquei aqui um post sobre lentes. Nele falamos um pouco mais sobre esse as posições das lentes e suas aplicações na fotografia.

Veja bons trabalhos: até hoje, o que mais me ajuda a aprimorar minha técnica e meu olhar sobre o que será fotografado é ler sobre a obra de bons fotógrafos e ver bons trabalhos. Não é simplesmente olhar. É ver uma fotografia, gostar dela e pensar: o que foi que ele fez para chegar nesse resultado? Como ele regulou a máquina? Como ele ajustou a luz? O que eu precisaria fazer para fazer uma fotografia parecida com essa? Acredite: na maior parte dos casos, é possível fazer algo bem parecido com a sua máquina apenas pensando no enquadramento.

É claro que para fazer igual você vai precisar conhecer bem o seu equipamento, ler sobre técnicas de iluminação, entender os limites de sua máquina e os recursos que ela possui para te ajudar. E é exatamente assim que o hábito de ver bons trabalhos ajuda você a aprimorar sua técnica. Você vai ver algo diferente, se perguntar ou perguntar a alguém sobre como fazer aquilo e aprender um pouco mais.

Mas o principal é que seu olhar será treinado. De tanto ver formas diferentes de observar um mesmo objeto, você também vai começar a buscar formas diferentes de retratar algo aparentemente comum. Sua memória fotográfica também será aprimorada. Determinadas situações vão aguçar seu olhar e vão fazê-lo pensar: isso dá uma boa foto, como um despretensioso olhar pelo retrovisor ao entrar em uma avenida...